Entidade internacional apoia senadoras que ocuparam mesa do Senado e discute paridade de gênero no trabalho

Em evento realizado em Brasília nesta quarta-feira (12), sindicalistas representantes de dez países apoiaram protesto das parlamentares contra a Reforma Trabalhista e discutiram o aumento da representação feminina e LGBT no mundo sindical

Com o intuito de aumentar a participação de mulheres e da comunidade LGBT no mundo sindical e de discutir seus desafios no ambiente de trabalho, a União Internacional dos Trabalhadores na Alimentação (UITA) realiza em Brasília (DF), entre os dias 12 e 13 de julho, a sua terceira reunião do Comitê Latino Americano de Mulheres (Clamu). Representantes do Brasil, Argentina, República Dominicana, Costa Rica, Peru, Nicarágua, México, Uruguai, Panamá e Estados (representando o comitê internacional) participam do evento.

Para a presidenta do Clamu, Patrícia Alonso, há um sério problema na política  e no sindicalismo mundial de pouca representação feminina, mesmo com a maioria da população sendo de mulheres. “Isso é algo preocupante. É uma verdadeira necessidade haver maior participação de todos nos diálogos e nas questões que parecem ser apenas do universo feminino. E estamos aqui para, aos poucos, derrubar essa disparidade”, explica.

“No setor de turismo, hospitalidade e alimentação, a maioria absoluta das pessoas que trabalham são mulheres. Mesmo assim, a diretoria dos sindicatos de representação desses setores é composto majoritariamente por homens. Queremos discutir paridade de gênero, coisa que já conseguimos implantar no Comitê Mundial da UITA e queremos trazer para a América Latina”, afirma Gerardo Iglesias, membro da diretoria executiva latino-americana da organização.

Além da paridade de gênero nas diretorias sindicais, o evento também discute os desafios da comunidade LGBT no ambiente de trabalho e os preconceitos que a classe enfrenta no dia a dia. “Estes eventos nos proporcionam a oportunidade de falar das nossas vidas, do preconceito no trabalho, na família e na sociedade, como somos excluídos pelo simples fato de termos uma orientação homosexual. O tema LGBT não é considerado no mundo sindical, mas a minha inserção na diretoria sindical foi emblemática. De passo em passo, estamos conseguindo conquistar o nosso espaço”, afirma Gisele Adão, membro do coletivo LGBT UITA e diretora do Sindicato da Alimentação do Sul de Santa Catarina (SINTIACR).

Apoio às senadoras brasileiras

Durante o evento, a sindicalista Vera Morais, diretora da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade (CONTRATUH), entidade filiada à UITA, fez uma moção de apoio às senadoras que ocuparam a mesa diretora do Senado — Gleisi Hoffmann (PT-PR), Lídice da Mata (PSB-BA), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Fátima Bezerra (PT-RN), Regina Sousa (PT-PI) e Kátia Abreu (PMDB-TO).

Para Vera, as parlamentares foram corajosas em defender os direitos do povo brasileiro. “Num Congresso machista e elitizado, que em sua maioria não ouve os anseio do povo, estas senadoras foram verdadeiras guerreiras, merecem nosso respeito e servem de exemplo para todas nós”, disse.