CPI fecha primeira etapa no encalço da corrupção no governo Bolsonaro

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Colegiado investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia e concluiu primeira etapa de investigações com descobertas de indícios de corrupção em compras de vacinas

Irmãos Miranda depõem na CPI (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

A CPI da Covid encerrou a primeira parte das suas atividades na última quinta-feira (16) com o depoimento do representante da Davati no Brasil, Cristiano Carvalho. A empresa está no centro da denúncia do pedido de propina, por parte do governo Bolsonaro, de um dólar por dose de vacina da AstraZeneca.

Com a aprovação do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), o Congresso Nacional entra em recesso determinado pela Constituição. Assim, durante o período, a CPI se debruçará sobre os 1.814 documentos recebidos durante o período.

“A CPI tem sido fundamental para mostrar para a população como o governo Bolsonaro agiu contra a ciência e em favor da corrupção. Desvendando as motivações do presidente e dos seus aliados conseguimos entender os motivos que levaram o País a demorar tanto a comprar vacinas, oferecer remédios ineficazes e matar mais de meio milhão de pessoas. Os culpados por essa tragédia precisam ser punidos”, apontou o senador Paulo Rocha (PA), líder da bancada do PT.

Durante o período em que não haverá depoimento devido ao recesso parlamentar, os senadores devem se debruçar sobre os dados já produzidos pelos 33 depoimentos colhidos, mais de 1,1 mil requerimentos e mais de 1,8 mil ofícios. Além disso, 14 pessoas passaram a ser investigadas pela CPI.

“São muitas as acusações de corrupção contra Bolsonaro. Não é à toa que eu vejo na CPI a base do governo envergonhada. Envergonhada de ver a falta de seriedade com que foi tratada uma questão tão relevante como o enfrentamento à pandemia por parte do Ministério da Saúde”, disse o senador Humberto Costa (PT-PE), membro da CPI.

Os depoimentos colhidos pela comissão durante o primeiro semestre mostraram como o governo Bolsonaro, num primeiro momento, desistiu de comprar vacinas em nome do negacionismo da ciência. Mas, no momento seguinte, viu na compra de vacinas, uma vantajosa oportunidade de negócios que ocorria em simultâneo à morte de milhares de brasileiros que se contaminavam diariamente com a Covid-19.

“Enquanto milhões de brasileiros se infectavam com o coronavírus, o governo ignorou diversos e-mails de vendas de vacinas, quando o governo Bolsonaro se viu obrigado a comprar as vacinas, abriu um balcão de negócios”, resumiu o senador Rogério Carvalho (PT-SE), também integrante da CPI.

Na avaliação do líder do líder da Minoria no Senado, Jean Paul Prates (PT-RN), o trabalho de investigação desempenhado pela CPI tem sido a principal responsável por elucidar quem são os principais responsáveis por levarem o Brasil a ter, neste dia 16 de julho, 539.050 mortes registradas pela Covid-19.

“A CPI da Covid é responsável por esclarecer as mortes de mais de 520 mil brasileiros. Ela está revelando fatos e crimes que tiveram a participação de integrantes do governo. Cabe ao Senado chegar aos responsáveis por essa calamidade que vivemos. Ninguém está acima da lei”, enfatizou o senador.

CPI prorrogada

A CPI foi instalada em 27 de abril com prazo de três meses de funcionamento. Na última quarta-feira, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), leu o requerimento de prorrogação dos trabalhos do colegiado. Assim, a comissão poderá trabalhar até o começo de novembro.

 

Fonte: PT no Senado