Até 78% das famílias se endividaram em 2022

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Segundo a CNC, duas a cada dez famílias que recebem até 10 salários mínimos mensais se declararam “muito endividadas”. Elas chegam a comprometer 30,9% da renda dessas pessoas. O quadro de compromissos financeiros vai a 78% em 2022. E os cartões de crédito foram responsáveis por 86% dessas dívidas.

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta semana pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostra que o percentual de endividados no país subiu sete pontos de 2021 (70,9%) para o ano passado.

O levantamento aponta que os principais vilões do brasileiro foram o cartão de crédito (86,6%), os carnês (19%) e o financiamento de automóveis (10,4%)

Para o CNC, há três motivos principais para o aumento do endividamento: efeito da pandemia sobre o emprego e fechamento dos negócios, retomada do consumo reprimido com as medidas para contenção da transmissão da Covid-19 e inovações em métodos de pagamento, como o Pix.

Não foi só o endividamento que subiu no ano passado. Com a inflação e os juros altos impactando o custo de vida, principalmente para o brasileiro mais pobre, a inadimplência também bateu recorde e chegou a 28,9%. Isso significa que, a cada dez famílias, três atrasaram algum pagamento no ano passado, segundo a pesquisa. O número é 3,7 pontos percentuais maior do que o registrado em 2021.

Pesquisa do Datafolha, em dezembro, mostrou que a prioridade de quem recebeu os R$ 600 do Auxílio Brasil (atual Bolsa Família) era comprar comida (76% dos entrevistados). Depois disso, as outras prioridades eram o pagamento de dívidas (11%) e a compra de remédios (5%).

Mais pobres

Segundo a CNC, duas a cada dez famílias que recebem até 10 salários mínimos mensais se declararam “muito endividadas”. As dívidas chegam a comprometer 30,9% da renda dessas pessoas. Por outro lado, quando analisados os dados daquelas que recebem mais de 10 salários mínimos mensais, os números caem praticamente pela metade, o que, para a CNC, sugere que o superendividamento está concentrado entre os mais pobres.

Por essa razão, Guilherme Mercês, diretor de Economia da CNC, disse que os programas de refinanciamento de dívidas, como o que está sendo debatido pela equipe do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, são fundamentais.

Porém, não resolvem o problema estrutural, que é a alta taxa de juros, a qual, por consequência, turbina o custo do crédito. Portanto, baixá-la é fundamental. “Em termos estruturais, o que vai resolver [o endividamento] é uma taxa de juro mais baixa, para baixar o custo de crédito de forma geral”, disse.

A Selic, taxa básica de juros, terminou 2022 a 13,75%, o maior valor desde 2017. No começo deste mês, o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, disse que o governo deve anunciar, em breve, o programa Desenrola Brasil, de renegociação de dívidas, que também contemplará empresas inadimplentes. O programa é uma promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Fonte: ICL Economia